quinta-feira, 3 de abril de 2014

Os Heróis do Olimpo - Percy Jackson VS O que sobrou da mitologia grega



Sinopse: Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes - semideuses dos quais todos já ouvimos falar... e muito. (Sinopse do livro O Herói Perdido)

Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/111150-o_heroi_perdido (acessado em 01/04/2014 às 23h50min)

Como Conheci: Li a coleção Percy Jackson & Os Olimpianos já fazem alguns anos, creio que quando eu estava no começo da faculdade, ou até mesmo um pouco antes disso, e me lembro de ter gostado bastante. A trama simples, porém envolvente e cativante, aliados a uma narrativa rápida, fluida e com boas reviravoltas me proporcionaram bons momentos de leitura prazerosa e despreocupada.

Quando soube que haveria uma "continuação", ou melhor dizendo, um alargamento no universo criado por Rick Riordan, fiquei um pouco ressabiado, e até resistente, acreditante que seria apenas um engodo para fazer dinheiro em cima de uma franquia de sucesso. Ledo engano. Apesar da minha inicial desconfiança, li o primeiro capítulo de O Herói Perdido (primeiro livro da série) há alguns anos e até achei interessante, mas deixei de lado por motivo que já não me lembro (provavelmente porque tinha outros livros na frente para ler). Contudo, nesses últimos meses me embrenhei em ler (devorar na verdade) os quatro livros lançados até agora e farei resenha dos quatro numa tacada só, e lá vai!

Resenha: Fazendo um apanhado geral da visão que tive com essa nova saga, série, aventura, ou qualquer nomenclatura do tipo que se possa dar a essa coleção que querendo ou não, acaba revelando-se como uma continuação aos fatos passados por Percy em Os Olimpianos, posso afirmar sem sombra de dúvidas ou peso no coração de que essa nova saga tem um quê de mais do mesmo, o que não é algo necessariamente ruim, como explicarei melhor adiante.

O autor apresenta vários personagens novos, com personalidades bem distintas, fato que que se percebe bem pela disposição dos capítulos, escritos e dispostos sob o ponto de vista do próprio personagem, e vão alternando de um personagem para o outro em cada capítulo, é o famoso POV (point-of-view, ou ponto de vista, em tradução livre), bastante popular na atualidade por ser usado nas Crônicas de Gelo e Fogo de George Martin.

Ainda falando dos personagens, existem dois claros protagonistas, Jason e Percy, (e há até algumas situações engraçadas em que os dois têm atritos pela liderança e inveja pelo destaque do outro), porém os demais heróis apresentados não são esquecidos como meros personagens escada, Riordan trabalha bem a importância de cada um de acordo com seu arquétipo e personalidade, de modo que esse volume de personagens transparece como algo natural, e não um atribulado de nomes saltando das páginas. Vê-se isso de forma mais palpável pelo foco de cada livro, pois O Herói Perdido enfoca o grupo de Jason, sua continuação, O Filho de Netuno, já pauta-se quase que exclusivamente em Percy e seus companheiros, sendo o terceiro e quarto livros (A Marca de Atena e a Casa de Hades, respectivamente) mais balanceados posto que há uma ação conjunta dos personagens apresentados. Esse balanço, aliado a já mencionada narrativa fluida e leve, são o que fazem a série ser tão prazerosa fácil de ler.

Outro ponto bem interessante (que pode ter ou não fins comerciais, jamais saberemos) é que o leitor pode nunca ter tido prévio contato com a primeira série de livros de Percy Jackson, e ler Os Heróis do Olimpo sem qualquer problema. Apesar de ser, de certa forma uma continuação, todo o universo e personagens antigos da trama são reapresentados de forma breve e tênue, porém suficiente para situar o leitor na narrativa. Claro, para quem já leu os livros antigos, vai encontrar um ou outro easter egg que lhe fará esboçar um sorrisinho furtivo de canto de boca, mas para quem é marinheiro de primeira viagem, a leitura não fica de forma alguma prejudicada pelo desconhecimento dos títulos anteriores. Eu mesmo não lembro de boa parte dos primeiros livros e li a nova série aproveitando cada página, sem nenhum problema ou incômodo.

Agora vamos aos contras! Nem tudo são flores nessa série, como eu disse logo no começo, há uma inquietante sensação de mais do mesmo, e não apenas para quem já leu aos livros antigos da franquia, mas esse sentimento também alcança o leitor a partir do segundo livro. Rick Riordan tem uma estrutura (um roteiro, ouso dizer) bem sólida para escrever, e a segue em todos os quatro livros já publicados. Há um começo leve, a anunciação de uma missão, as turbulências e desventuras no seu cumprimento (que comumente tem um prazo bem apertado para ser completada) e no final uma batalha épica e o respectivo final feliz.

Eu sou um entusiasta de carteirinha de clichês, chavões e finais felizes, mas em alguns momentos isso cansa um pouco e faz a trama perder um pouco da emoção pela obviedade escancarada do seu eventual final. Porém, conforme a leitura vai avançando essa sensação vai e volta, o que não torne a leitura ruim, mas fica evidente como ponto negativo à obra.

Outro fato que merece ser mencionado, e essa crítica vai ser melhor identificada aos leitores que tiveram prévio acesso aos trabalhos anteriores do autor no universo de Percy Jackson, é que ele esgota praticamente TODAS as lendas da mitologia grega, sem dó nem piedade. Tudo bem, ele o faz de forma adaptada ao tempo presente, tornando-as caricatas, mas ainda assim, é uma surra de lendas, mitos, monstros e heróis de outrora, que dão além de uma canseira no leitor, uma bela aula de história de mitologia.

A trama não se restringe a apenas esgotar os mitos ainda não mencionados, ela recicla algumas lendas já usadas nos livros da série anterior, bem como faz um amarrado cultural bem interessante com uma cultura conexa (que não vou mencionar porque spoiler é sacanagem). Essa sucessão de lendas em grande quantidade, também acabam por cansar um pouco o leitor, porém essa falha acaba se superando pela forma cômica como o autor as aborda e apresenta.

Apesar de gostar bastante das obras do Rick Riordan, é justo frisar que ele como escritor não é lá muito criativo ou profundo. É literatura infanto-juvenil bem escrita, de fácil acesso e divertida, porém rasa culturalmente, contudo isso não é um demérito, mas apenas a constatação de um fato. Dito isso, é difícil, como eu disse, que o leitor se surpreenda com algum acontecimento na trama, pois o autor é fiel a sua linha (roteiro) de escrita. Entretanto, o danado dá uma rasteira no público, quando aborda um tema atual e polêmico, surpreendendo de forma positiva o leitor.

Em um dos livros, o autor revela haver um personagem homossexual. Há uma situação de surpresa pela revelação, mas a reação dos demais personagens é interessante, não há espanto ou repúdio, mas sim compreensão e apoio ao personagem homo. Aborda-se de forma bem sucinta que quem mais tem preconceito é o próprio personagem gay, que de certa forma não se aceita e sofre com isso, mas esse fato, creio eu, será melhor tratado no último livro. É também de se mencionar que acaba-se até criando uma tensão romântica e um triângulo amoroso bem bonitinho entre o personagem, sua paixão platônica, e o companheiro/a desse último/a (o que deve ter deixado as fagirls em polvorosa). 

O que interessa de tudo isso, é a naturalidade com que o tema é apresentado em uma franquia tão despreocupada e limitada. A mensagem que o autor passa é de que não importa a sua sexualidade, isso é apenas uma parte de você, e isso não fará com que seus amigos lhe gostem mais ou menos, ou que você não possa se apaixonar, ou até mesmo ser um herói! Ponto mais que positivo pro Riordan, e um tapa na minha cara, que critico a traminha água com açúcar dele.

Indico ou não indico: Fácil fácil eu indico. Sou suspeito pois adoro esse tipo de literatura, mas pesando os prós e contras da série, seus pontos positivos ganham o leitor pela trama bem amarradinha, bem escrita e de leitura fácil e gostosa. É o tipo de livro que você pega em um dia de chuva, ou tedioso e passa a tarde inteira lendo no sofá, sem perceber as horas passando.

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