Sinopse: Após invadirem um laboratório de pesquisas em macacos, um grupo de ativistas encontra chimpanzés presos em gaiolas diante de telas que exibem continuamente cenas de extrema violência. Ignorando os avisos de um cientista que trabalha no local de que os macacos estariam infectos, os ativistas decidem libertá-los. Assim que são soltos os macacos atacam todos aqueles à sua volta, em verdadeiros ataques ensandecidos. 28 dias após este acontecimento desperta do coma em um hospital de Londres Jim (Cillian Murphy). Completamente confuso e estranhando a ausência de pessoas nas ruas, Jim nada sabe sobre o ocorrido e se esconde após encontrar diversos cadáveres e seres monstruosos, infectados pelo vírus disseminado. Após uma explosão Jim encontra outros sobreviventes, Selena (Naomi Harris) e Mark (Noah Huntley), que o levam a um local seguro e lhe explicam a situação atual. Decidido a reencontrar seus pais, Jim decide partir e é acompanhado pela dupla de novos companheiros. Até que, ao se refugiarem em um prédio, ouvem uma transmissão pelo rádio de que um grupo de soldados comandados pelo major Henry West (Christopher Eccleston) está se reunindo e diz ter a solução para a cura da infecção provocada pelo vírus. Sem outra alternativa, Jim, Selena e Mark decidem se juntar aos soldados em sua batalha.
Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-46940/ (acessado em 31/07/2013 às 10h15min)
Como Conheci: Me lembro de logo que esse filme saiu, havia uma grande especulação em cima dele, pois tinha a promessa de ser algo inovador no gênero zumbis, pois teríamos mortos-vivos rápidos (lembro de ter lido "zumbis maratonistas" em algum lugar), com um tipo diferente de infecção. O que é bacana, deu uma renovada boa nas películas desse tema.
Nada relativo ao filme ou como conheci, mas continua sendo um fato curioso. Esse filme tinha algum tipo de bruxaria ou implicância comigo, porque é o tipo de filme que eu as vezes vejo passando na TV e, ou pego ele no meio ou não consigo terminar de assistir por dado motivo. E para piorar, não raras vezes já aconteceu de eu estar passando a lista de canais e me deparar com um "28 Dias" e ir seco achando que era ele e BANG! Me deparava com a Sandra Bullock, aí me sentia uma pessoa bem estúpida.
Resenha: Duas coisas das quais eu definitivamente não sou fã e assumidamente tenho preconceito: Filme europeu e filme de drama. Juntar os dois me causa arrepios (ou como diriam de onde vim: "Me dá uns três tipos de medos diferentes"). Porém 28 Days Later foi uma jogada inteligente e um tapa na cara de gente como eu, pois ele é todo divulgado como um mero filme de miolos e de um terror leve, mas quando você o assiste, vê que a argumentação do filme foca mais na questão humana, na sobrevivência e no drama dos personagens, ao invés dos raivosos (que acabam se mostrando como meras engrenagens para fazer a trama funcionar), e a coisa até que flui bem. Toda a produção estética e de roteiro é voltada à essa argumentação dramática. O jogo de câmeras, os focos em paisagens desoladas dos subúrbios ingleses ao amanhecer e ao entardecer principalmente (que serviram bem para dar uma enganada na torcida já que o orçamento foi curto). E até a própria trilha sonora que mistura bastante um rock animado com músicas mais clássicas e melancólicas pontuam o sentimento proposto para cada cena. É o tipo de cuidado que se vê principalmente em filmes de drama e foi muito bem posto no 28 Days.
Falando no tal do drama, vamos à ele. O filme como eu disse antes, constrói uma relação e uma interação muito afinada entre seus personagens, além de apresentar de forma satisfatória as situações que eles enfrentam e vivenciam, claro, sem deixar de lado a questão da luta contra os raivosos. Outra coisa típica dos dramas e do cinema europeu (e um baita ponto positivo, eu diria) é a crueza com que algumas cenas foram rodadas. Sem muita maquiagem e efeitos desnecessários típicos dos filmes de zumbis. Vê-se nudez sem eroticidade, como algo natural à cena, sem fazer grande espanto ou pudores bestas. Vê-se que não há tanto espanto pela nudez pelo fato do filme ter sido lançado lá fora com classificação indicativa de 16 anos, o que é uma surpresa bem agradável. Como a maior parte do filme se passa dando enfoque às relações humanas, a estética do filme (em especial a maquiagem) foi feliz em tentar se manter o mais natural possível.
O interessante nos zumbis(?) (eu prefiro chamar de raivosos porque tecnicamente eles não estão mortos) desse filme, é o fato de serem meros infectados, e portanto matá-los de uma forma "simples", como se mataria um ser humano comum já funcionaria. Isso tornaria os raivosos em tese menos letais, mas o filme em dadas situações acaba forçando a barra e fazendo com que eles sejam máquinas de matar, ainda que você esteja armado até os dentes. Outro fato que corrobora com essa "humanização" dos raivosos, é que aparentemente eles cansam, ou ao menos ficam letárgicos (bem rápido) quando não possuem um alvo, isso não é muito bem explicado, mas ainda assim é um ponto diferenciado.
Apesar do filme transcorrer quase todo como um drama (e isso pode ser um pouco cansativo), 28 Days não teria sido o sucesso que foi sendo um mero drama de sobrevivência. A parte final tem uma reviravolta cheia de ação que agrada aos fãs de miolos, mas que não se encaixa lá muito bem com toda a proposta construída ao longo da película. É uma jogada ardilosa e sacana? Com certeza! Mas sem isso, o filme teria sido um fracasso de bilheteria, então essa "apelação" acaba se justificando pelos fins comerciais.
Não posso resenhar esse filme sem fazer algumas ressalvas: Se você estiver em um apocalipse zumbi (na Inglaterra), só encontrará Pepsi pelo caminho. No hospital, nos mercados e na rua. Nem adianta pedir uma coca!; As ruas e paisagens são ABSURDAMENTE desertas. Em uma situação caótica de evacuação (ou êxodo como é chamado no filme), se esperaria um caos de veículos, depredação nos prédios, comércio e etc, pelo menos nos centros urbanos, o que não é o caso de 28 Days. Aqui tudo é tão vazio que dá aflição e fica difícil crer em uma desolação tão ordenada assim, eu diria que foi um ponto negativo, mas que se justifica pelo baixo orçamento.
Indico ou não indico: Opa! Toda inovação que é bem explorada merece um crédito. E esse filme teve a traquinagem de me fazer gostar de drama, então super indico apesar de ter sido "enganado". É um bom filme até mesmo para se assistir acompanhado. Se eu pudesse classificar 28 Days Later eu diria que ele é como quando sua mãe colocava carne e queijo no meio dos legumes para você comer. Disfarçam um roteiro de drama usando zumbis como pano de fundo para agradar tanto o público europeu que costuma ser exigente por uma boa trama, quanto ao público em geral que vai aos cinemas e espera um blockbuster (em especial pela parte final do filme). No final das contas, é um filme que vale suas quase duas horas de duração.
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